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quarta-feira, 5 de abril de 2023
quarta-feira, 14 de novembro de 2012
LabHum, Cenário inusitado, único, Local em que se é possível Compartilhar Sentimentos
"Junho de 2012. Mais um ciclo do LabHum se encerra e começamos a nos despedir dos personagens que povoaram as narrativas de vida e morte e com os quais interagimos no último semestre. Alguns deles estavam iniciando a vida, outros dela se despedindo. Mas os sentimentos, emoções e entendimento por eles despertados já são partes inerentes de cada um de nós, de tal forma que, muitas vezes, já não podemos discernir onde eles terminam e onde começamos nós." Dora.
Novo texto de participante no site LabHum:
http://www.unifesp.br/centros/cehfi/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=111:trabalho-de-conclusao-de-curso-por-maria-auxiliadora&catid=25:textos-de-participantes-do-labhum&Itemid=17
quarta-feira, 2 de maio de 2012
Consciências despertadas e vendas arrancadas!
Relatório Final do Ciclo de Encontros e Discussões sobre Humanização em Saúde do Laboratório de Humanidades (1° semestre de 2011)
por Grace Richter Moysés
Ao ir ao primeiro dia de reunião do curso do Laboratório de Humanidades, não imaginava a experiência que estava começando a vivenciar.
No princípio, demorei a me acostumar com o esquema do curso, pois fui esperando algo parecido com uma aula e me surpreendi ao começar a entender que funcionava mais como reunião de um grupo de pessoas interessadas em relacionar fatos de livros com experiências pessoais vividas.
Muitas vezes as reuniões começavam com um determinado tópico para iniciar a discussão e de repente, como em uma conversa mesmo, a discussão tomava um rumo totalmente diferente da inicialmente proposta. Os assuntos iam se emendando, se enovelando e se ficássemos cinco horas, dez, enfim, quantas horas fossem, as considerações a serem feitas seriam inesgotáveis. Em relação a isso, sempre gostei de ficar por horas conversando, filosofando sobre a vida com amigos e de repente parávamos e ficávamos tentando lembrar como os assuntos tinham se conectado, como a conversa tinha começado. E, sempre, o caminho inverso era muito difícil de obter porque às vezes no meio de uma conversa, uma simples palavra, até um gesto da outra pessoa te remete a pensar em outra coisa e mudar o rumo da conversa. Da mesma maneira que às vezes uma simples frase lida no livro desperta a consciência de algum fato antigo ou de situações vividas todos os dias, das quais muitas vezes não nos damos conta. É como um clique que desperta na mente alguma coisa, algum pensamento que rendiam horas de reflexão.
Apesar de sempre ser dito que o curso não era terapia, para mim e para muitas pessoas do grupo, aquele horário na sexta-feira funcionava sim como uma espécie de terapia, um horário na minha semana para pensar e refletir sobre a vida. As pessoas se sentiam à vontade para expor, comentar, revelar situações de suas vidas que eram trazidas à tona, relembradas, despertadas pela leitura do livro.
Durante a leitura do primeiro livro (“Divina Comédia” de Dante Alighieri) admito que não me envolvi muito, pois não foi uma leitura agradável para mim. Mesmo assim, as reflexões que as pessoas expuseram me proporcionaram grande aprendizado e reflexão também. Já no segundo livro lido (“Alice através do espelho”) me envolvi mais ainda com as experiências de leitura das pessoas do grupo e pude desenvolver as minhas próprias experiências de leitura. Apesar de não ter exposto minhas opiniões, minha visão, pude analisar, absorver e aprender, muito com o que todos expunham, somado com o que já havia refletido sobre minhas próprias experiências.
Muitos assuntos discutidos e muitas linhas de raciocínio propostas me renderam muita análise das situações do meu dia-a-dia. Cada reunião me fazia pensar mais e mais em coisas corriqueiras que nem nos damos conta, principalmente devido à correria do cotidiano. Situações simples, pelas quais passamos sem percebê-las de verdade, sem aproveitá-las começaram a parecer bem evidentes.
Em muitas reuniões, tocamos em assuntos delicados, houve muita emoção e, principalmente nesses dias, minha reflexão sobre a vida no âmbito pessoal e profissional era mais intensa.
Pelo que posso afirmar sobre mim, saí muitos dias da reunião me sentindo renovada, com uma nova visão do mundo, das pessoas, das situações. Como se antes houvesse uma venda sobre meus olhos que não me permitia enxergar direito e de repente ela era arrancada e pequenas, simples atitudes pareciam não fazer mais sentido e outras de repente passavam a fazer sentido.
Definitivamente foi uma experiência muito interessante, proveitosa e que espero repetir nos próximos semestre e a qual irei recomendar a todos que puder. Acredito que se todos tivessem pelo menos essas poucas horas na semana para parar tudo, se desligar do mundo, da correria e pensar, compartilhar situações e principalmente ouvir as opiniões dos outros, muitas atitudes seriam mudadas, pois as pessoas seriam sensibilizadas, suas consciências seriam despertadas e suas vendas, arrancadas.
segunda-feira, 19 de março de 2012
Experiência no Laboratório de Humanidades
Trabalho de conclusão de disciplina
“Admirável mundo novo”, essa foi a leitura do semestre. Inicialmente tive dificuldades no entendimento desse livro, achei complicado e desinteressante. A partir das discussões do grupo e das percepções alheias, percebi que ele poderia tornar-se interessante e comecei a me questionar: por que será que a leitura dele não fez sentido para mim? Fiquei tentada a recomeçar a leitura. Para minha surpresa percebi que tinham muitas coisas que deixava de perceber.
Algumas questões levantadas pelo grupo: no admirável mundo novo buscava-se a felicidade a todo custo; uma das maneiras de tornar os personagens mais felizes era eliminando qualquer tipo de sentimento; quando o sofrimento surgia tomava-se o soma e “ficava tudo bem”; eliminavam-se vínculos afetivos; as pessoas eram condicionadas a viverem de determinada maneira e aceitavam suas condições sem questioná-las.
Tentei entender o motivo, pelo qual a leitura do livro, inicialmente, não ter feito sentido para mim. Para minha surpresa me percebi como no admirável mundo novo. Estava lendo o livro de uma maneira “mecânica” e condicionada, parece que ele entrou no “pacote de coisas” que eu tinha para fazer no momento e não pude senti-lo de verdade. Na realidade me comportava como os personagens do livro, condicionada a realizar tarefas, deixando de lado meus sentimentos e emoções, ficando apenas na leitura do livro. Da mesma maneira que me percebo às vezes na vida, preocupada em realizar coisas deixando de lado meus sentimentos.
Isso me fez pensar que a realidade do admirável mundo novo é atual, podemos vivê-la dentro da gente sem ao menos percebê-la. Quando nos questionamos se é possível um admirável mundo novo, diria que sim, basta procurá-lo em nós mesmos, principalmente quando nos condicionamos a realizar “coisas” e deixamos de pensar, sentir, nos observar e perceber o outro. As ideias do autor do livro que a priori pareciam um absurdo, na realidade fazem parte da vida atual.
. Em seguida, iniciamos a leitura do livro “Vida e Proezas de Alexis Zorbás”. Gostei bastante do livro, prendeu a atenção do começo ao fim. O narrador consegue falar de experiências da vida utilizando a simplicidade na maneira de ser do seu personagem Zorbás.
Duas coisas em especial me chamaram a atenção nesse livro: quando Zorbás fala da velhice e da morte. Ele diz que a morte não é o problema, pois é o fim de tudo, mas envelhecer é vergonhoso. Velhice e morte são dois temas teoricamente e espiritualmente muito debatidos. Mas, Zorbás nos coloca a pensar na prática, no aqui e agora e na experiência, como um “choque de realidade”.
Parece falar do envelhecimento de uma pessoa, que foi perdendo lentamente algumas das capacidades adquiridas durante a vida, seja por meio da doença ou do próprio limite da idade. Lidar com essa realidade é difícil, pois na vida nos preparamos somente para o bom, sempre queremos eliminar as dificuldades e que a morte, neste sentido, pode ser a solução de todos os problemas.
Outra experiência marcante que me fez pensar em Zorbás foi com meu filho de 11 anos. Um dia chegou e começou a fazer comentários sobre o futuro, que existiriam muitos robôs e haveria desumanização. Questionei o que ele entendia por desumanização e ele me disse que era “falta de contato humano”. Sua resposta me surpreendeu, principalmente pela simplicidade com que definiu essa palavra. Zorbás foi um homem de contato humano, vínculos e também conseguia falar de questões humanas de uma maneira muito simples, às vezes, como uma criança.
Zorbás é o homem que, segundo o narrador, vive principalmente o hoje e observa as coisas admirando-as como se fossem pela primeira vez, mas também guarda as experiências do passado, parece aprender muito com elas. Isso também me coloca a pensar na importância de vivermos o presente e ver sentido na vida e naquilo que é certo, que é tudo o que temos neste exato momento. Outra frase do meu filho de 15 anos me contrapõe essa idéia “devemos viver o hoje mas sabendo que tem amanhã, se eu sei que não vai existir o amanhã, que sentido tem o hoje?”. Esta seria outra maneira também possível de compreender esse tema.
Em minha opinião, a mais importante experiência no laboratório de humanidades é que não obtemos respostas para as questões da existência humana. Um mesmo fato pode ser visto e vivido de várias maneiras, dependendo da experiência de vida de cada um. O laboratório de humanidades nos ajuda a questionarmos nossa maneira de enxergar a vida. E tudo isso, pode ser um começo para relações humanizadas...
sexta-feira, 9 de março de 2012
Reflexão sobre o LabHum
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
I Colóquio Internacional Humanidades e Humanização em Saúde
I Colóquio Internacional Humanidades e Humanização em Saúde, um álbum no Flickr.
Vejam as fotos do evento neste álbum!
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
Palestra do Prof. Dr. Boia Efraime Junior, da Universidade Pedagógica de Moçambique
Nesta sexta-feira, dia 11 de novembro de 2011, realizou-se a palestra do Prof. Dr. Boia Efraime Junior, da Universidade Pedagógica de Moçambique (AMOSAPU - Associação Moçambicana de Saúde Pública). Esta palestra foi proferida dentro de uma reunião do Laboratório de Humanidades, no Centro de História e Filosofia das Ciências da Saúde – CeHFi, e promovida pelo GEHOS, o Grupo de Estudos em História Oral em Saúde, ambos da UNIFESP.
O tema foi “Narrativas Terapêuticas: Histórias e Traumas”, sobre o poder terapêutico das narrativas na cura psicológica de ex-crianças soldados de Moçambique. O tema se mostrou instigante e muito relacionado à questões brasileiras.
Estavam presentes também a Profª Drª Ana Lúcia Lana Nemi, do curso de história da UNIFESP, como mediadora, e o Prof. Dr. José Carlos Sebe Bom Meihy, do NEHO-USP, que comentou e também trouxe suas experiências.
Vejam as fotos:
Prof. Dr. Boia Efraime Junior, Profª Drª Ana Lúcia Lana Nemi e Prof. Dr. José Carlos Sebe Bom Meihy
“Narrativas Terapêuticas: Histórias e Traumas”, Prof. Dr. Boia Efraime Junior
Prof. Dr. Boia Efraime Junior, da Universidade Pedagógica de Moçambique
Obrigado pela presença dos participantes!
Equipe do LabHum
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
LabHum em Zaragoza - Setembro de 2011
O LabHum conquistou a Espanha. Y vamos adelante!
Eis algumas fotos do acontecimento:
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
Nova sala para encontros do LabHum
segunda-feira, 6 de junho de 2011
Laboratório de Humanidades 2011
Ciclo 2011 - 2º semestre
Ciclo de Encontros e Discussões sobre Humanização em SaúdeDisciplina Eletiva para os Programas de Pós Graduação da UNIFESP (Campus São Paulo)
Período: Segundo semestre de 2011
Professor Responsável: Dante Marcello Claramonte Gallian
Professor Convidado: Rafael Ruiz (Campus Guarulhos)
Promoção: Centro de História e Filosofia das Ciências da Saúde (CeHFi)
Dia da Semana: Terça ou Sexta-Feira (a partir de 09 e 12 de agosto de 2011)
Horário:
- das 10 às 11h30 (terças-feiras);
- das 12 às 13h30 (sextas-feiras)
Carga Horária Didática: 28
Carga Horária Atividades: 32
Créditos: 5
Vagas: 20 (10 em cada turma)
Local: CeHFi – Rua Botucatu 720, Edif. Museu Histórico 1º andar, Anf. José Carlos Prates.
Inscrições: Secretaria do CeHFi. Botucatu 720. Fone: 5576-4258 (falar com Mercedes) mon.cehfi@epm.br Maiores informações:http://www.unifesp.br/centros/cehfi/labhum.htm
Ementa e Objetivo Geral:
A partir da leitura e discussão de obras clássicas da literatura, o Laboratório de Humanidades visa promover uma abertura para a dimensão humanística do conhecimento, entendendo as humanidades e, em especial a literatura, como meio de humanização no âmbito da pesquisa e da prática profissional em saúde.
Objetivos Específicos:
- Fomentar e promover o hábito da leitura dos clássicos da literatura universal;
- Oferecer um espaço de compartilhamento de impressões e idéias suscitadas pela leitura dos clássicos;
- Levantar questões essenciais referentes ao processo de humanização individual e coletiva;
- Confrontar leituras e discussões com a prática cotidiana, profissional e de pesquisa;
- Gerar um espaço de socialização e humanização a partir da troca de idéias e concepções;
- Fornecer um amplo repertório humanístico para o pesquisador pós-graduando na área da saúde.
Metodologia:
Leitura de obras pré-determinadas da Literatura Universal e encontros semanais para discussão sobre as mesmas, na seguinte dinâmica:
- Encontro inicial: histórias de leitura
- Encontros de aprofundamento: levantamento e discussão de impressões, questões e idéias;
- Encontro de sistematização e conclusão
O Ciclo de Encontros do LabHum são semestrais. Um mês antes do encontro do Ciclo um livro é escolhido e proposto. Ao iniciar o Ciclo os participantes já deverão ter feito a leitura. Cada livro gera de 4 a 5 encontros de discussão. No penúltimo encontro já se anuncia o próximo livro a ser lido e discutido. Em geral são lidos de 2 a 3 livros por ciclo.
Programação:
Neste ano, devido à procura cada vez mais intensa, o LabHum contará com duas turmas: uma às terças-feiras, das 10 às 11h30 e outra às sextas-feiras, das 12 às 13h30. O aluno deverá optar por um destes dois horários e deverá permanecer nele até o final do ciclo.
Neste ciclo o primeiro encontro ocorrerá dia 09 de agosto (turma de terça) e 12 de agosto (turma de sexta).
Avaliação:
Ao aluno de pós-graduação será exigido um relatório escrito sobre o impacto da experiência do LabHum e comentários a respeito dos livros lidos.
Bibliografia Complementar:
DELUMEAU, Jean. A Civilização do Renascimento. Lisboa, Estampa, 1984, Vol. II.
GARIN, Eugenio. Idade Média e Renascimento. Lisboa, Editorial Estampa, 1989.
LOPEZ QUINTÁS, A., "El análises literario y su papel formativo" in Convenit International N. 1, 2000, disponível em http://www.hottopos.com/convenit/lq1.htm
MARAÑÓN, Gregorio, La Edad Crítica, Madrid, 1925.
---------------------------, Vocación y Ética. Madrid, 1946.
ORTEGA Y GASSET, José, A Desumanização da Arte, São Paulo, Cortez, 5a edição, 2005.
---------------------------------- A Missão da Universidade. Rio de Janeiro, Eduerj, 1999.
PEIPER, Josef, A Abertura para o Todo: a Chance da Universidade.Ensaio. São Paulo, Apel, 1989.
RIBEIRO, Renato Janine. Humanidades; um novo curso na USP. São Paulo, Edusp, 2001.
RUIZ RETEGUI, Antonio, Pulchrum. Reflexiones sobre la Belleza desde la Antropologia cristiana. 2ª ed., Madrid, Rialp, 1999.
TEIXEIRA COELHO. “A Cultura como Experiência”, in RIBEIRO, Renato Janine (org.) Humanidades; um novo curso na USP. São Paulo, Edusp, 2001.
sexta-feira, 27 de maio de 2011
Reflexão sobre o LabHum
terça-feira, 26 de abril de 2011
A experiência de leitura no LabHum
segunda-feira, 18 de abril de 2011
Próxima livro: Alice Através do Espelho
DUAS VIAGENS - por Laise Nucci
Trabalho de conclusão de disciplina
Foram duas viagens impressionantes. A primeira, o regresso, a segunda, uma viagem sem volta. Tanto uma quanto a outra, viagens de transformação.
Ao acompanhar Ulisses em sua Odisséia, a experiência foi justamente poder perceber o quanto a ausência pesa e se faz presente. Ulisses tinha um objetivo, sabia onde queria chegar, tinha foco.
Durante todo tempo em que buscava regressar, encontrava forças para superar os obstáculos justamente na certeza de que tinha quem esperava por ele. Existia o amor que encontrava correspondência na esposa e no filho.
Com Dorian, a história foi bem outra, ele não tinha amor, não tinha vínculo, seu único objetivo era preservar a beleza, a aparência. Não se relacionava, ou melhor, até existia uma relação com Lord Harry, porém era uma relação sem muito propósito, da parte de Dorian. O mais importante era o prazer, viver a vida.
Minha reflexão neste semestre no laboratório de humanidades relaciona-se com o meu trabalho. Há 20 anos ingressei na área de Recursos Humanos e me interessei cada vez mais por desenvolvimento organizacional.
Minha experiência foi construída em hospitais, sendo que estou a 14 anos no Hospital São Paulo. Quando penso nos profissionais da saúde, um fator me traz muita inquietação, a questão do adoecimento de quem deveria produzir saúde.
As taxas de adoecimento dos profissionais é muito alta e duas queixas prevalecem sobre as demais de forma muito significativa, que são: Depressão e doenças osteomusculares.
Tive a oportunidade de ouvir muitos profissionais em diferentes momentos da carreira e muitas coincidências são pontuadas, como por exemplo, a escolha da profissão. Geralmente existe uma espécie de ideal quando mencionam esta escolha, os obstáculos que tiveram que superar e as resistências encontradas.
Mas com o passar do tempo, parece que este momento de escolha vai ficando tão distante que o profissional segue por dois caminhos: ou ele sofre junto com o paciente, provavelmente por se sentir impotente no alívio da dor, ou toma o caminho oposto que é o de enrijecer-se como forma de distanciar-se do sofrimento. No primeiro caso, muitas vezes a conseqüência é a depressão e no segundo, manifestações osteomusculares.
É preciso esclarecer como relaciono esta reflexão sobre o trabalho com Ulisses, Telêmaco, Penélope, Dorian, Harry e Basil: Penso que a vida se completa, ou melhor, se afirma, quando tem objetivos, um porquê, uma razão de ser.
Na Odisséia, o “onde quero chegar” é muito forte. Ulisses queria voltar para casa e isso é muito claro para ele. Supera obstáculos, enfrenta grandes batalhas, perde amigos, chega a perder todos os seus bens materiais. Em alguns momentos seu empenho fica até enfraquecido, porem, mesmo envolvido por prazeres retorna a seu objetivo.
Telêmaco por sua vez, vai construindo o seu objetivo que é encontrar o pai. E Penélope tem como objetivo manter a condição de quem espera e trabalha nisso, manter a situação é tão importante que desfaz à noite o que teceu durante o dia, mas ainda sim o trabalho está presente, mesmo que seja desfazendo-o.
Quando penso em Dorian, não consigo perceber que a sua vida tivesse um significado que não fosse manter a juventude aparente, manter a embalagem, provavelmente porque a falta de conteúdo fosse insustentável.
Dorian e Harry não tinham realizações, nem objetivos que não fosse o puro prazer, não conheciam o amor. Existia entre eles uma relação de interesses. Já Basil, amava Dorian, se não a pessoa em si, uma figura idealizada, mas ele construía, sentia, enfim, tinha algo dentro de si que expressava pela obra.
Foi falado no laboratório sobre a questão de viver um estado de tensão entre o bem e o mal e eu acredito que esta tensão é amenizada quando colocamos mais dois pontos: à frente, o objetivo e atrás a obra realizada. Valorizar cada passo dado em direção ao norte escolhido, sabendo que a tensão entre o bem e o mal sempre vai estar presente.
Ao acompanhar as personagens dos livros trabalhados neste semestre, pude me identificar com cada uma delas e perceber o presente que é a vida. Se em determinados momentos as coisas não acontecem da forma que desejo, em outros fica claro o quanto as escolhas determinam os resultados. A minha relação com as pessoas a minha volta me influencia e é influenciada por mim.
Há mais de dois meses meu filho escolheu sair do Brasil para buscar a realização de um sonho. Minha condição de mãe determina esperar e desejar que ele encontre a satisfação de seus sonhos. Minha responsabilidade enquanto mãe vai até certo ponto, não posso interferir nas escolhas do outro, mesmo que esteja falando do meu filho. Este é um ponto de tensão entre o bem e o mal, desejar que ele seja feliz, acredito que é o certo, desejar que ele esteja perto de mim, entendo que seja errado, minha escolha traz responsabilidade, quando escolho o que acho certo, tenho a responsabilidade, mas não tenho a culpa.
Este foi outro ponto que me fez pensar nas discussões do Laboratório: A Reflexão. Se existe o Bem e o Mal, como decido o que coloco de um lado e do outro? Esta escolha é definitiva? Penso que as respostas são relativas. Pois a transformação e evolução são constantes. Diariamente aprendemos e desaprendemos e é preciso estar atento para o novo e as necessidades de renovação.
No meu percurso profissional, encontro mais satisfação quando estou ministrando treinamentos e já faço isso há alguns anos, inclusive com boa avaliação por parte dos treinandos. Quando acontece uma boa avaliação, vem junto um fator crítico que é a acomodação. A vivência no laboratório de humanidades me provoca o desconforto, pois me sinto provocada a repensar minha forma de me expressar. Acredito que seja objetiva demais em minhas colocações e muitas vezes essas colocações não se sustentam. Esta percepção me provoca a repensar minha forma de expressão que pode, num momento ser adequada, mas que precisa estar “viva” e renovar-se.
Este momento de reflexão é baseado em fatos ocorridos, mas que me faz projetar posturas futuras, se assim for, a reflexão é posterior e anterior simultaneamente. Como no caso do chocolate: reflito num comportamento passado – comi o chocolate – mas ao mesmo tempo planejo limitar a repetição deste comportamento.
Tenho certa insegurança em me posicionar durante as discussões, mas sou insistente. Fiquei muito satisfeita quando meu pequeno texto foi para o Blog. Foi este incentivo que me fez decidir escrever agora – apesar de não ter idéia se o que apresento está dentro do esperado.
Estou no Laboratório há 3 semestres, agradeço muito a oportunidade de fazer parte de algo tão transformador, mas que respeita o tempo de cada um.
Muito Obrigada!
Laise Nucci
terça-feira, 29 de março de 2011
Experiência no laboratório de humanidades
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
Exposição de desenhos do LabHum/UFRPE
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
Reflexões sobre o livro O Retrato de Dorian Gray
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
HUMANIDADES E HUMANIZAÇÃO EM SAÚDE: Ciclo de Encontros de Estudo e Discussão
É com muita satisfação que participamos a todos a abertura do GRUPO DE ESTUDOS HUMANIDADES E HUMANIZAÇÃO EM SAÚDE: Ciclo de Encontros de Estudo e Discussão com início no 1º Semestre de 2011. Esta iniciativa vem contemplar a necessidade de problematizarmos os pressupostos teórico-filosóficos que fundamentam a linha de pesquisa Humanidades e Humanização em Saúde do Grupo de Pesquisa Humanidades Ciências e Saúde (CNPq).
Nível: Pós-Graduação
Público Alvo: Alunos de todos os Programas da UNIFESP
Professor Responsável: Dante Marcello Claramonte Gallian (Diretor do CeHFi)
Professora Convidada: Jacqueline Sakamoto (Pesquisadora do CeHFi e Doutoranda da Saúde Coletiva- EPM-UNIFESP)
Promoção: Centro de História e Filosofia das Ciências da Saúde (CeHFi)
Período: de 17 de fevereiro a 23 de junho
Horário: 5ªs feiras – 10h às 12h
Carga Horária: 60h (didática + atividade)
Créditos: 5 [Ao aluno de pós-graduação será exigido um relatório escrito sobre a experiência do Grupo de Estudos e comentários a respeito dos livros lidos. O certificado de presença e conceito será emitido pelo CeHFi, podendo ser apresentado à Pró-reitoria de pós-graduação para reconhecimento e atribuição de créditos].Vagas: 25
Local: Anfiteatro 2 da Pró-reitoria de Graduação: Rua Botucatu 740, 1o andar.
Inscrições: Secretaria do CeHFi. Botucatu 720. Fone: 5576-4258 (falar com D. Mercedes) mon.cehfi@epm.br
Objetivo Geral:
Promover a investigação, discussão e reflexão sobre a desumanização, compreendida como fenômeno “patológico” relacionado à Modernidade, decorrente de fundamentos antropológicos do humanismo da perfectibilidade, e relacionado a isto, sua perspectiva cientificista e tecnicista hegemônica.
Metodologia:
Seminários de discussão de textos pré-definidos
Avaliação:
Ao aluno de pós-graduação será exigido um relatório escrito sobre a experiência do Grupo de Estudos e comentários a respeito dos livros lidos. O certificado de presença e conceito será emitido pelo CeHFi, podendo ser apresentado à Pró-reitoria de pós-graduação para reconhecimento e atribuição de créditos.
Obras que serão discutidas (deverão estar previamente lidas):
GIOVANNI PICO DELLA MIRANDOLA. Discurso sobre a Dignidade do Homem. Lisboa: Edições 70, 2008.
JOHN PASSMORE. A Perfectibilidade do Homem. Rio de Janeiro: Topbooks, 2004.
Maiores informações:
http://www.unifesp.br/centros/cehfi/curso_grupo_humanidades.htm
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
Laboratório de Humanidades 2011
Ciclo 2011 - 1º semestre
O Centro de História e Filosofia das Ciências da Saúde comunica a abertura de mais um ciclo do LABORATÓRIO DE HUMANIDADES (ano VI – Primeiro Semestre). O LabHum é um espaço aberto aos alunos de graduação, pós-graduação, docentes e funcionários da UNIFESP, assim como para estudantes de outras universidades.
A primeira obra a ser discutida será ALIGHIERI, Dante. A Divina Comédia. Livro I, “O Inferno”.
